Usando o No-Break como um Monitor de Tensão da Rede Elétrica
Resumo Este capítulo descreve o uso inovador de um no-break como monitor de tensão de redes elétricas com flutuações intensas. Usando soluções gratuitas e de código aberto, configura-se scripts para capturar dados de tensão em tempo real, gerando logs e gráficos que revelam picos críticos (até 148V em rede de 127V), acionando baterias e causando desligamentos. Validação com multímetro confirma os dados, e análise histórica correlaciona desgaste de equipamentos com o boom de painéis solares na vizinhança (presente em 23,2% dos terrenos em 2025 via fotos de satélite públicas). Interações com a concessionária Energisa expõem burocracias e omissões, resolvidas por pressão documentada, resultando em ajuste no transformador. O estudo destaca impactos da energia solar em redes locais, propondo monitoramento como ferramenta para maior autonomia do consumidor, com soluções open-source para replicação. Beneficia públicos ao promover transparência, redução de prejuízos e melhores práticas regulatórias.
Palavras-Chave: Monitoramento de tensão; No-break como sensor; Flutuações elétricas; Energia solar residencial; Rede elétrica brasileira; Scripts Python open-source; Impacto de painéis solares; Concessionária Energisa; Ciência aberta; Qualidade de energia.
Introdução
No dia 3 de setembro de 2025 um poste foi substituído na frente da casa do autor (Fig. 84), o que fez com que houvesse um queda súbita de energia e algumas lâmpadas que estavam ligadas no momento da troca, passaram a não mais funcionar assim que a energia foi reestabelecida.
Fig. 84 Substituição do poste de madeira por um de concreto.
Um telefonema foi feito para a Energisa, a concessionária local e ao autor foi informado que ele poderia proceder com o concerto, mas que guadasse a nota da compra das novas lâmpadas e ao menos o recibo do concerto, que eles trabalhariam para efetuar o ressarcimento.
Efetuado o concerto, enviados os dados, passado aproximadamente duas semanas e em face ausência de contato da concessionária, o autor telefonou ao call center da mesma e descobriu que o pedido havia sido indeferido, pois segundo informações, não havia relato técnico de problema elétrico no local. O autor então teve que submeter a foto da troca de poste e foi orientado a enviar um email a um determinado setor da consessionária. Depois de alguns dias, contrariando as informações iniciais de que pouca documentação seria necessária ao processo, o autor recebeu um PDF (baixe a versão anonimizada) com dados detalhados do passo a passo para tentativa de ressarcimento com uma burocacria signiticativamente mais complexa e impossibilidade de ajuste retroativo, uma vez que o concerto já havia sido feito, dada a urgência de resstabelecimento da iluminação no local de trabalho. Evidenciava-se ali que a concessionária não havia sido transparente no primeiro contato, comprometendo assim o processo de ressarcimento.
Pouco tempo depois o autor passou a testemunhar com uma frequência fora do normal eventos em que o no-break recorria a bateria, mesmo sem aparente alteração no fornecimento da energia. Isso passou a acontece de maneira tão constante, que o computador desligava, mesmo com o suporte de um equipamento robusto, composto por quatro baterias. Algo parecido já havia acontecido em 2011, portanto há 14 anos, quando um outro no-break do autor recorria à bateria constantemente, mesmo com os demais eletromésticos e equipamentos eletrônicos funcionando com apartente normalidade. Na ocasião a concessionária monitorou a rede, identificou uma tensão fora do padrão e instalou um transformador na rua local. Tal episódio demonstrou que o no-break era mais sensível do que os demais equipamentos eletrônicos e poderia ser uma ferramenta de identificação de problemas de tensão local.
Agora, um equipamento muito mais robusto do que aquele, indicava que algo estava errado com a rede elétrica e embora alguns episódios de desligamento já houvessem ocorrido há algumas semanas, eles se intensificaram muito depois da troca do poste a ponto de inviabilizar o trabalho do autor, uma vez que a bateria, por conta do uso constante não conseguia mais segurar a carga.
Na verdade, situações relacionadas a eventos elétricos remantam outros episódios problemáticos passados e isso instigou ainda mais uma revisão, depois do ocorrido com o poste. O fato é que o autor tem um histórico cíclico de problemas com no-breaks ao longo dos últimos anos. Os eventos mais recentes se dão a partir do ano de 2019, quando adquiriu uma máquina mais potente, baseada em uma CPU i9 9900K, uma GPU RTX 2700 com 4 monitores conectados. Assim que o equipamento foi instalado, evidenciou-se que o no-break de então não segurava a carga e a empresa que vendeu os eletrônicos indicou o uso do modelo Intelbrás 1800VA NBX 120v. O produto suportou bem por um tempo, mas pouco depois de dois anos teve que ser substituído por um novo do mesmo modelo, que por sua vez durou pouco menos de dois anos e quando foi substituído novamente o equipamento novo não aguentou um mês e meio. Daí o vendedor indicou o modelo atual, o TS-Shara 2200VA à época.
Modelo |
Duração (Início-Fim) |
Dias |
|---|---|---|
Intelbrás 1800VA |
30/12/2019-04/11/2021 |
706 |
Intelbrás 1800VA |
04/11/2021-30/08/2023 |
665 |
Intelbrás 1800VA |
30/08/2023-10/10/2023 |
41 |
TS Shara 2200VA |
13/10/2023-04/11/2025 |
753 |
Ao observar a Table 3 é possível identificar um padrão de deterioração do tempo de uso do no-break anterior de 1800VA que iniciou em 706 dias, depois caiu para 665 e finalmente apenas e espantosamente 41 dias (o modelo simplesmente parou de segurar a carga). Já o modelo de 2200VA, embora significativamente mais potente, durou mais do que os demais, 753 dias, mas menos do que a sua robustez poderia oferecer. Parece que algo aconteceu a partir de 2023 que possa ter gerado tal situação. O possível motivo será explanado ao longo deste documento.
Identificação do Problema
Configuração do No-Break para Captura os Dados da Tensão
Recordando do episódio de 2011, quando o no-break serviu como elementos identificador de problema de tensão, o autor observou a estrutura do esquipamento, localizando uma conexão USB-A (cabo USB “de impressora”). Ora, se havia ali uma conexão, poderia ser possível o input/output de dados. Ao ler sobre o tema, descobriu que o seu modelo TS-Shara 2200VA, um contava com um software que permitia o monitoramento da tensão da rede, no entanto, este era disponível apenas para o sistema operacional Windows, entretanto o autor utiliza o Linux Ubuntu 24.04.
Em face a novas buscas, descobriu que havia uma forma de acessar os dados do no-break via Network UPS Tools (NUT), sendo UPS a supressão de Uninterruptible Power Supply, em português Fonte de Alimentação Ininterrupta, logo, um no-break.
O cabo USB-A foi conectado ao equipamento e o comando de listagem de dispositivos acionado:
$ lsusb
Dentre os dispositivos listados um deles foi identificado como aquele plugado ao equipamento:
Bus 001 Device 004: ID 0483:5740 STMicroelectronics Virtual COM Port
A identificação foi feita pelo conhecimento anterior dos demais dispositivos e demonstra que se trata de uma COM Port, com protocolo serial (explanado adiante). A abordagem que fornece o dev específico foi executada com o seguinte comando:
$ sudo dmesg | grep tty
Que dentre os resultados listou o dispositivo:
[ 7.752718] cdc_acm 1-5:1.0: ttyACM0: USB ACM device
O dev de interesse nesse caso é o ttyACM0, o que permite o acesso ao output de dados. Embora se trate de um dispositivo USB essa conexão segue um protocolo de comunicação serial, provavelmente por escolha do fabricante, visando praticidade e/ou economia de recursos no desenvolvimento.
Com o dispositivo identificado, é necessário, caso não esteja presente no sitema, a instalação das ferramentas NUT:
$ sudo apt update && sudo apt install nut
Em seguida a edição do arquivo de configuração:
$ sudo gedit /etc/nut/ups.conf
Adicionando o seguinte trecho:
[ts-shara]
driver = blazer_ser
port = /dev/ttyACM0
desc = "no-break TS Shara STM"
O uso do driver blazer_ser se deve ao fato da comunicação ser serial, condizente com a escolha do fabricante. Já a port utiliza o dev listado via dmesg, ou seja o /dev/ttyACM0.
Agora basta reiniciar o servido do NUT:
$ sudo systemctl restart nut-server nut-monitor && sudo systemctl enable nut-server nut-monitor
Feito isso é possível rodar o comando, chamando o no-break configurado:
$ upsc ts-shara
Que gera uma saída como:
Init SSL without certificate database
battery.charge: 100
battery.voltage: 27.20
battery.voltage.high: 26.00
battery.voltage.low: 20.80
battery.voltage.nominal: 24.0
device.mfr: TS SHARA 230713
device.model: Senoid 22
device.type: ups
driver.debug: 0
driver.flag.allow_killpower: 0
driver.name: blazer_ser
driver.parameter.pollinterval: 2
driver.parameter.port: /dev/ttyACM0
driver.parameter.synchronous: auto
driver.state: quiet
driver.version: 2.8.1
driver.version.internal: 1.60
input.current.nominal: 100.0
input.frequency: 60.0
input.frequency.nominal: 60
input.voltage: 137.0
input.voltage.fault: 137.0
output.voltage: 133.0
ups.beeper.status: enabled
ups.delay.shutdown: 30
ups.delay.start: 180
ups.firmware: V010304010
ups.load: 14
ups.mfr: TS SHARA 230713
ups.model: Senoid 22
ups.status: OL
ups.temperature: 27.0
ups.type: offline / line interactive
Ou seja, é possível monitorar a bateria, a voltagem de entrada, que vem da rede, e a voltagem de saída, ajustada pelo equipamento para não comprometer o funcionamento do computador. No exemplo acima, quando gerada a saída, mostrava uma tensão alta de 137v em uma rede de 127v. O quanto isso está fora do esperado? Tal abordagem será explanada no próximo tópico.
Configurando um Sistema de Monitoramento da Tensão por Planilha
O Linux oferece uma série de ferramentas que permitem o isolamento de dados desejados ao alcance de uma linha de comando, como esta, que informa apenas a tensão de entrada:
$ upsc ts-shara|grep input.voltage:
Que gera a seguinte saída:
input.voltage: 137.0
Um usuário com conhecimento em shell script pode criar um pequeno sistema que captura esses dados de tempos em tempos, mas usar soluções como a linguagem de programação Python pode simplificar o código e a abordagem, além de permitir o uso em outros sistema operacionais com a adequação dos comandos.
Attention
Leitores não familiarizados com programação podem pular os trechos de código sem prejuízo de compreensão uma vez que os conceitos são expostos no texto. O compartilhamento dos scripts segue as boas práticas de ciência aberta e permite a extração do mesmo diretamente do documento atual.
Baseado nessa abordagem o autor criou um sistema em Python que captura a data, a hora, a tensão de entrada e a tensão de saída a cada um segundo (isso garante que capture os picos de tensão ao longo do período). Ao final tudo é salvo em um arquivo CSV com os dados do dia, por ex. 20251104.csv.
#!/usr/bin/env python3
import os
import time
import datetime
import subprocess
import csv
# ===== CONFIGURAÇÕES =====
UPS_NAME = "ts-shara" # nome configurado no NUT
SAVE_PATH="/home/USER/TSSHARA_script/LOGS" # onde salvar os .csv
INTERVAL = 1 # segundos entre leituras
os.makedirs(SAVE_PATH, exist_ok=True)
def get_value(label):
"""Lê o valor de uma propriedade do UPS via NUT."""
try:
result = subprocess.check_output(["upsc", UPS_NAME], text=True)
for line in result.splitlines():
if line.startswith(label):
return line.split(":")[1].strip()
except subprocess.CalledProcessError:
return None
return None
def main():
print("Monitorando UPS. Pressione Ctrl+C para parar.")
while True:
now = datetime.datetime.now()
filename = now.strftime("%Y%m%d") + ".csv"
filepath = os.path.join(SAVE_PATH, filename)
input_v = get_value("input.voltage")
output_v = get_value("output.voltage")
if input_v and output_v:
# Cria o arquivo se não existir, com cabeçalho
new_file = not os.path.exists(filepath)
with open(filepath, "a", newline="") as f:
writer = csv.writer(f)
if new_file:
writer.writerow(["Date", "Time", "Input Voltage", "Output Voltage"])
writer.writerow([
now.strftime("%Y-%m-%d"),
now.strftime("%H:%M:%S"),
input_v,
output_v
])
time.sleep(INTERVAL)
if __name__ == "__main__":
main()
Feito isso é necessário configurar o sistema para o funcionamento do monitor que foi salvo como Monitor.py. Primeiro criando um serviço com o comando para editar o arquivo:
$ sudo gedit /etc/systemd/system/ups_logger.service
No arquivo é necessário adiconar os dados do no-break a ser monitorado, onde USER é o seu nome de usuário:
[Install]
WantedBy=multi-user.target
[Unit]
Description=UPS Logger (TS-Shara)
After=network.target
[Service]
ExecStart=/usr/bin/python3 /home/USER/TSSHARA_script/Monitor.py
Restart=always
User=USER
Em seguida os comandos de recarregamento e rodar os serviços:
$ sudo systemctl daemon-reload && sudo systemctl enable ups_logger.service && sudo systemctl start ups_logger.service
Para testar se está rodando corretamente:
$ systemctl status ups_logger.service
Se tudo der certo gerará uma saída compatível com a seguinte:
● ups_logger.service - UPS Logger (TS-Shara)
Loaded: loaded (/etc/systemd/system/ups_logger.service; enabled; preset: enabled)
Active: active (running) since Wed 2025-11-04 15:29:10 -04; 1h ago
Main PID: 1938 (python3)
Tasks: 1 (limit: 76827)
Memory: 8.0M (peak: 9.3M)
CPU: 6min 6.708s
CGroup: /system.slice/ups_logger.service
└─1938 /usr/bin/python3 /home/USER/TSSHARA_script/Monitor.py
Como supramencionado, o sistema criado apenas gera arquivos CSV que capturam dados de segundo a segundo. O usuário pode observar os valores abrindo diretamente a planilha e fazer uma busca pelos picos, ou, como fez o autor, utilizar o Python para plotar gráficos a partir do CSV.
Plotando os Gráficos a partir do Monitoramento
Para a geração do gráfico alguns conceitos e limites, relacionados a tensão e voltagem precisaram ser estudados. Inicialmente recorreu-se ao manual Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional [ANEEL_2020_d] (p.42), o que permitiu a extração das seguinntes faixas: Adequada, Precária e Crítica nas tensões de 110V e 220V (Table 4).
Tensão |
220V/230V |
110V/127V |
|---|---|---|
Crítica + |
>233 |
>135 |
Precária + |
231< <=233 |
133< <=135 |
Adequada |
202<= <=231 |
117<= <=133 |
Precária - |
191<= <202 |
110<= <117 |
Crítica - |
< 191 |
< 110 |
Segundo tais faixas, o dado de 137V extraído do levantamento manual via linha de comando já estaria classificado como Crítica uma vez que, sendo uma rede de 110/127V o mesmo se encontra cima de 135V.
Uma outra informação importante, é que além dos dados coletados no manual da ANEEL o autor também entrou em contato com a empresa TS Shara e sanou algumas dúvidas acerca do funcionamento do equipamento e esclareceu pequenas lacunas do Manual de Operação e Instruções [TS_Shara_2021_d]. A informação mais relevante foi a de que o no-break, apesar de constar que aciona a bateria a partir de 143V, na verdade, por conta de valores discretos, arredondamentos e variações, poderia acionar esse comportamento a partir de 142V.
Para se ter uma ideia mais ampla do que se passava na rede, era necessário criar uma ferramenta que facilitasse a leitura dos dados advindos dos arquivos CSV, armazenados no sistema. A solução foi gerar um script em Python que abrisse um determinado arquivo, fizesse a leitura do mesmo e plotasse os dados ao longo do dia da voltagem de entrada e da voltagem de saída, tendo como backgound uma linha de 127V, representando o ideal de tensão e as faixas supracitadas, além é claro, dos limites superior (143V) e inferior (91V) suportados pelo no-breaak antes de acionar a bateria. Era muito importante entender o que se passava, pois a bateria estava sendo acionada durante parte considerável do dia, seguidamente, a ponto de colapsar o sistema, pois o equipamento, por conta o tempo de uso (2 anos) e da inconstância histórica da rede já não mais segurava a carga.
O código final do script Plotagem.py foi o seguinte:
import pandas as pd
import matplotlib.pyplot as plt
# === CONFIGURAÇÕES ===
log_dir = "LOGS"
file_name = "20251104.csv"
file_path = f"{log_dir}/{file_name}"
# === CONFIGURAÇÕES DE LIMITE INFERIOR ===
usar_limite_inferior = False # True = limitar eixo Y inferior; False = modo automático
min_volt_limit = 110 # Valor mínimo permitido no eixo Y inferior
# === LEITURA DO CSV ===
df = pd.read_csv(file_path)
df['timestamp'] = pd.to_datetime(df['Date'] + ' ' + df['Time'])
df = df.sort_values('timestamp')
# Determina mínimo e máximo reais do CSV
min_val = df[['Input Voltage', 'Output Voltage']].min().min()
max_val = df[['Input Voltage', 'Output Voltage']].max().max()
# Margem para eixo y
margin = 1 # volts
ymin_graph = min_val - margin
ymax_graph = max_val + margin
# === APLICAÇÃO DO LIMITE INFERIOR (OPCIONAL) ===
if usar_limite_inferior:
ymin_final = max(ymin_graph, min_volt_limit)
else:
ymin_final = ymin_graph
# === GRÁFICO ===
plt.figure(figsize=(12, 6))
ax = plt.gca()
# === LINHAS DE LIMITE: 91V e 143V (visíveis apenas se próximo) ===
input_min = df[['Input Voltage', 'Output Voltage']].min().min()
input_max = df[['Input Voltage', 'Output Voltage']].max().max()
if input_min <= 93:
ax.axhline(y=91, color='red', linewidth=3, alpha=0.8, label='Limite Inferior (91 V)')
if input_max >= 141:
ax.axhline(y=143, color='red', linewidth=3, alpha=0.8, label='Limite Superior (143 V)')
# --- FAIXAS HORIZONTAIS COM CORES CLARAS ---
ax.axhspan(ymin=ymin_final, ymax=110, facecolor='red', alpha=0.25)
ax.axhspan(ymin=110, ymax=117, facecolor='yellow', alpha=0.25)
ax.axhspan(ymin=117, ymax=133, facecolor='green', alpha=0.25)
ax.axhspan(ymin=133, ymax=135, facecolor='yellow', alpha=0.25)
ax.axhspan(ymin=135, ymax=ymax_graph, facecolor='red', alpha=0.25)
# --- PLOT DAS LINHAS E PONTOS ---
ax.axhline(y=127, color='green', linewidth=8, alpha=0.3, label='127 V Referência')
ax.plot(df['timestamp'], df['Output Voltage'], '-', color='C0', linewidth=2, alpha=0.35, label='Voltagem de Saída (V)')
ax.scatter(df['timestamp'], df['Output Voltage'], s=10, alpha=0.5, color='C0')
ax.plot(df['timestamp'], df['Input Voltage'], '-', color='black', linewidth=3, alpha=0.35, label='Voltagem de Entrada (V)')
ax.scatter(df['timestamp'], df['Input Voltage'], s=15, alpha=0.5, color='black')
# === FORMATAÇÃO ===
ax.set_title(f'UPS Voltage Log – {file_name.replace(".csv", "")}', fontsize=14)
ax.set_xlabel('Horário', fontsize=12)
ax.set_ylabel('Tensão (Volts)', fontsize=12)
ax.legend()
ax.grid(True, linestyle='--', alpha=0.4)
ax.set_xlim(df['timestamp'].min(), df['timestamp'].max())
ax.set_ylim(ymin_final, ymax_graph)
plt.tight_layout()
plt.show()
O script trabalha apenas nos arquivos CSV e ao final gera gráficos com os dados necessários à observações da evolução da tensão ao longo do dia.
Fig. 85 Plotagem dos dados relacionados a 04 de novembro de 2025.
Já no primeiro levantamento entre as 7:00 horas até às 11:00 e alguns minutos, pela manhã (Fig. 85), foi possível observar que por volta das 8:10 houve um primeiro pico da tensão de entrada que se aproximou da linha de 143V e acionou a bateria (linha preta), fazendo a tensão de saída cair abaixo de 110V (linha azul). Como se tratou de pouco tempo, a bateria conseguiu segurar o equipamento ligado, mas logo depois, por volta das 8:45, um novo pico ultrapassou oas 143V e chegou a absurdos 147V; em seguida a tensão caiu abaixo, retornando para alimentação da rede, mas pouco depois, em um novo pico acima de 143V a bateria foi novamente acionada e não conseguiu manter o computador funcionando, desligando-o por um período, que é observado pela linha inclinada pouco antes das 9:00 horas. Por toda a manhã daquele dia, a tensão de entrada ficou muito acima da faica Crítica, fazendo com que seguidamente o no-break recorresse à bateria, como pode ser atestado pelas quedas em azul.
A ferramenta de plotagem dos dados estava pronta e funcional, mas as informações vinham de apenas uma fonte, de modo que para validar tais dados o autor recorreu a um equipamento complementar.
Validação Complementar e Acompanhamento
Para validar os dados do no-break o autor adquiriu um multímetro (por R$ 25,99), uma ferramenta acessível e de fácil utilização. A mensuração pode ser efetuada colocando o marcador no campo da Tensão Alternada em 750 e introduzindo os pinos nos orifícios da tomada.
Fig. 86 Aferição da tensão com um multímetro demonstrando que em ambos os casos a energia estava na faixa crítica. Á esquerda: na tomada de 127V o valor aferido está em 143V, acima do limite da faixa crítica (>135). Á direita: na tomada de 220V o valor aferido está em 239V, também acima do limite da faixa crítica (>233).
Durante um dos momentos em que o no-break recorreu à bateria, o autor aproveitou para mensurar a tensão e atestou que de fato marcava 143V (Fig. 86, à esquerda), logo, bem acima da faixa crítica, a partir de 136V. O mesmo se aplicou à tomada de 220V, que no momento de um dos picos denunciados pelo no-break marcou 239V, acima da faixa crítica, a partir de 243V.
O acompanhamento ocorreu ao longo dos dias, enquanto o autor buscava o contato com a concessionária de energia, que como será atestado adiante, aparentemente utilizava uma tática de subterfúgio retórico, não cumprindo com os prazos e abordagens combinadas, reforçando a impressão negativa do episódio do poste substituído e a queima das lâmpadas.
Fig. 87 Plotagem dos dados relacionados a 10 de novembro de 2025, ilustrando o pico no período entre as 8:00 até às aproximadamente 14:30 horas, seguido de queda.
Durante o período em que acompanhou dia a dia a evolução da tensão local, o autor percebeu que um padrão se repetia. Por volta das 8:00 horas a energia já ultrapassava o limite crítico e esse estado durava até aproximadamente às 14:30. Depois a tensão caía a niveis de normalidade (Fig. 87).
Fig. 88 Um exemplo de dia chuvoso pela manhã, a tensão se manteve em um pível adequado.
Outro padrão recorrente é que, em dias de chuva ou nublados, havia uma tendência da tensão se manter no nível adequado (Fig. 88), isso aconteceu, por exemplo, na manhã de 22 de novembro de 2025, quando a cidade recebeu fortes pancadas de chuva, chegando a alagar alguns pontos.
O autor atestou também que o problema não era necessariamente a tensão chegar ao nível crítico, mas se aproximar de 142V ou 143V, ou seja, o limite do no-break. Como é possível visualizar no gráfico, mesmo que bata 140V, o sistema do equipamento consegue abaixar a tensão de saída em aproximadamente de 3 a 4V, o que permite o funcionamento dentro das faixas adequada e precária (Fig. 88).
Embora tudo estivesse muito bem documentado, o problema se concentrava em um ponto: a omissão da concessionária.
Chamados à Concessionária
Desde o primeiro momento em que atestou uma tensão acima do limite crítico, o autor entrou em contato com o atendimento ao cliente da concessionária.
Fig. 89 Gráfico extraído dos dados de 15 dias, evidenciando o horário de pico médio. No entanto, o problema maior eram os picos eventuais e aleatório que se intensificaram aproximadamente entre às 8:00 até às 14:30, como pode ser observado no desvio padrão (+1). Sabendo-se que tem-se ainda mais dois desvios padrão para chegar a ~97% da amostra, os picos presentes nesses desvios eram os que acionavam a bateria no no-break a partir de 142V-143V. O pico máximo registrado até o momento foi de 148V, ao meio-dia de 11 de novembro de 2025.
Ele explicou a situação, a questão do padrão entre das 8:00 às 14:30 (Fig. 89) e solicitou que eles viessem em tal horário, além de evitarem vir em dias chuvosos, pois havia a tendência da normalização da tensão. A atendente perguntou se ele gostaria de acompanhar as medições, ao que este concordou. A visita fora marcada para o próximo dia e o autor seria avisado por ligação telefônica que os técnicos haviam chegado. No entanto, isso não aconteceu no dia posterior nem nos seguintes.
O autor entrou em contato novamente e fora informado que os técnicos haviam visitado o local, que não identificaram problema algum e que deveria esperar 15 dias para emissão do laudo e que até lá não seria possível fazer uma nova visita técnica. Ou seja, além de não terem entrado em contato (e não aparecido), o sistema da concessionária, na prática, travou a conexão entre o cliente e a mesma por 15 dias, deixando-o com uma rede com tensão inviável à própria sorte e em detrimento do caro equipamento computacional.
Fig. 90 Reclamação pública no perfil da Energisa no Facebook.
Percebendo que não seria atendido por aquele canal, o autor buscou outros meios de tornar notório o problema. Ao identificar que o perfil da Energisa no Facebook respondia alguns dos usuários e permitia o envio de imagens, procedeu com a postagem de uma reclamação padronizada onde indicava graficamente os picos e quedas seguidos de tensão e um comentário de que a concessionária havia mentido acerca da visita, além de ter travado o atendimento em 15 dias (Fig. 90). A tática surtiu efeito e uma comunicação foi estabelecida via messenger do Facebook, onde os dados do usuário foram solicitados. É importante informar que em nenhum momento a Energisa desmentiu as palavras do autor, corroborando com uma potencial falha de comunicação ou mesmo ausência de visita por parte dos técnicos.
Os dias se passaram e o autor não recebeu a acordada ligação e os técnicos não apareciam no local. Para resumir a longa história, foi necessário o envio de mais mensagens, com evidências de que estava sendo feito um registro geral do que se passava, de modo que a concessionária percebesse que haviam provas significativas de que algo estava errado com a tensão.
Fig. 91 Captura pela câmera de segurança da visita dos técnicos enviados pela Energisa. O horário, 17:55 está fora do acordado entre 8:00-14:00.
Depois de mais alguns dias, novas mensagens e nova ligação, o autor foi informado pelo vizinho de que os técnicos estiveram no local no dia anterior, no entanto, eles chegaram no final da tarde, ou seja, fora do período acordado. Recorrendo aos dados das câmeras de segurança, o autor atestou que os técnicos haviam chegado por volta das 17:55, ou seja, já no período em que a tensão estava normalizada (Fig. 91). O vizinho, que também havia idenficado um funcionamento anormal em alguns equipamentos elétricos e comentou isso com os técnicos, relatou ao autor que aqueles informaram a ele que o problema da tensão alta seria a presença de painéis de energia solar em grande quantidade nas imediações.
Em relação aos vizinhos, o autor contatou-os ao longo dos dias de monitoramento e ao relatar que teve um condicionador de ar queimado, há alguns dias, descobriu que o vizinho do lado e o vizinho da frente passaram pela mesma situação, reforçando as indicações de que o problema era generalizado nas quadras. Além disso o autor cedeu o multímetro para um dos vizinhos, que aferiu em uma tomada sua e atestou as tensões de 137V (crítica) e 237V (crítica). Esse vizinho também solicitou uma visita dos técnicos, que o fizeram dias depois, também fora do horário solicitado, quando a rede estava normalizada.
O autor novamente solicitou à concessionária que fosse no horário combinado, fornecendo mais uma leva de dados, inclusive históricos atualizados do hostário de pico. Por alguns dias o contato via messenger indicava que o chamado ainda estava em aberto, com o limite máximo de atendimento no dia 26 de novembro. Por volta das 9:15 da manhã daquele dia o autor telefonou novamente para a Energisa, onde informarma que o atendimento estava em aberto. Assim que desligou, foi observar pela janela do seu escritório que dava para a rua e, por uma significativa coincidências os técnicos lá estavam, mas como de costume não haviam telefonado ao autor para que acompanhasse a visita. Este então desceu e foi conversar com o técnico, que informou estar colocando um equipamento para monitorar a rede por um período, que ele havia identificado uma tensão significativamente alta, proveniente, segundo o mesmo, do elevado número de placas solares na vizinhança e que ele faria um ajuste no tranformador para baixar a tensão em aproximadamente 10V, e que o autor e o vizinho estavam no final da linha, o que tornava as variações de tensão mais significativas. O autor se deslocou e testemunhou que o técnico de fato havia trabalhado no transformador.
Análises Complementares
Em face à informaçao fornecida pelo técnico, de que o elevado número de placas solares poderia ser o principal causador da alta da tensão, o autor buscou levantar dados que permitissem uma análise mais precisa de tal alegação. Além do mais, fatos passados envolvendo os no-breaks substituídos poderiam, quiçá, ser esclarecidos por essa análise.
Fig. 92 Paineis solares segmentados de 2019 a 2025. Na parte direita superior o esquema de terrenos nas quadras. A captura original foi oculta para manter a privacidades dos moradores.
O autor utilizou uma abordagem muito simples para fazer o levantamento do aumento do uso de energia elétrica nas quadras dos vizinhos. Inicialmente utilizou o recurso de regressão de anos fornecido pelo Google Earth, de modo que pudesse capturar o local de interesse e segmentar os pixels dos painéis solares (Fig. 92).
Ano |
Pixels Painéis |
Aumento (Pixels) |
|---|---|---|
2019 |
734 |
|
2020 |
829 |
95 |
2021 |
3.016 |
2.187 |
2022 |
4.370 |
1.354 |
2023 |
9.013 |
4.643 |
2024 |
11.070 |
2.057 |
2025 |
16.161 |
5.091 |
Utilizando um script Python, quantificou o número de pixels pretos e cinza, representados pela segmentação dos painéis solares e assim foi possível quantificar o crescimento ao longo dos anos. Algo que salta aos olhos na Table 5 é que houve um boom significativo no ano de 2023, justamente aquele em que o terceiro no-break Intelbrás 1800VA teve que ser adquirido e durou apenas 41 dias (Table 3), obrigando a compra de um modelo mais robusto, no caso o TS Shara 2200VA. Já em 2025, ou seja, este ano, o crescimento foi maior ainda do que em 2023 e pode ter ajudado no desgaste do novo modelo. Segundo os fabricantes, a bateria original do modelo da Intelbrás em condições normais teria uma vida útil de 3 a 5 anos [Intelbras_2021_d], já o TS Shara em condições normais teria entre 2 a 3 anos, podendo estender para 5 em condições ideais [TS_Shara_2025_d]. Pelas evidências as condições não eram ideais em nenhum dos casos, tendo como aparente responsável a alimentação de energia dos painéis solares.
Ano |
Com Painéis (N) |
Porcentagem (%) |
|---|---|---|
2019 |
2 |
1,8 |
2020 |
3 |
2,7 |
2021 |
5 |
4,5 |
2022 |
8 |
7,1 |
2023 |
17 |
15,2 |
2024 |
19 |
17,0 |
2025 |
26 |
23,2 |
Como se trata de uma cidade projetada, foi possível identificar a divisão dos terrenos nas quadras (Fig. 92, direita superior), quantificando o total em quatro quadras (112) e contar aqueles que contavam com painéis solares. Uma tabela foi montada demonstrando a porcentagem ao longo dos anos e novamente é possível identificar dois booms significativos, um em 2023 e outro em 2025.
Um dado que chama muito a atenção é que no ano de 2025, 23,2% dos terrenos contava com painéis, ou seja, quase 1 em cada 4. Esse número é mais de três vezes maior do que os 7% de unidades consumidoras de energia solar no território brasileiro [PV_Magazine_Brasil_2025_d], embora o número dos usuários deste estudo possa ser maior, dada as características de titularidade distribuída, onde um conjunto de placas pode gerar energia para vários imóveis cadastrados, em diferentes endereços e cidades.
Estado |
Pot. (MW) |
Pop. (mi) |
MW/1000 |
|---|---|---|---|
São Paulo |
6030,0 |
46,0818 |
0,131 |
Minas Gerais |
5457,2 |
21,3934 |
0,255 |
Paraná |
3895,1 |
11,8905 |
0,327 |
Rio G. do Sul |
3508,0 |
11,2333 |
0,312 |
Mato Grosso |
2788,3 |
3,8937 |
0,716 |
Goiás |
2214,0 |
7,4236 |
0,298 |
Bahia |
2199,7 |
14,8709 |
0,148 |
Mato G. do Sul |
1705,8 |
2,9246 |
0,583 |
Rio de Janeiro |
1650,5 |
17,2235 |
0,096 |
Pernambuco |
1528,7 |
9,5620 |
0,160 |
Pos. |
Estado |
MW/1000 |
|---|---|---|
1º |
Mato Grosso |
0,716 |
2º |
Mato Grosso do Sul |
0,583 |
3º |
Rondônia |
0,361 |
4º |
Tocantins |
0,355 |
5º |
Paraná |
0,327 |
6º |
Rio Grande do Sul |
0,312 |
7º |
Goiás |
0,298 |
8º |
Espírito Santo |
0,280 |
9º |
Minas Gerais |
0,255 |
10º |
Rio Grande do Norte |
0,268 |
11º |
Piauí |
0,228 |
12º |
Santa Catarina |
0,194 |
13º |
Alagoas |
0,182 |
14º |
Distrito Federal |
0,171 |
15º |
Acre |
0,171 |
16º |
Amapá |
0,164 |
17º |
Roraima |
0,160 |
18º |
Pernambuco |
0,160 |
19º |
Ceará |
0,159 |
20º |
Pará |
0,158 |
21º |
Bahia |
0,148 |
22º |
São Paulo |
0,131 |
23º |
Paraíba |
0,131 |
24º |
Maranhão |
0,127 |
25º |
Sergipe |
0,109 |
26º |
Rio de Janeiro |
0,096 |
27º |
Amazonas |
0,064 |
Pelo Infográfico ABSOLAR de 11 de novembro de 2025 [ABSOLAR_2025_d] (enviado sob solicitação), foi possível extrair os dados dos estados brasileiros com maior produção de energia solar. Inicialmente chamou a atenção Mato Grosso se posicionar em 5º dada a sua pequena população. O autor então criou um número cujo fator é calculado dividindo-se a potência instalada em megawatts pela população do estado e, em seguida, multiplicando-se o resultado por 1.000 para expressar o valor em megawatts por mil habitantes (Table 7).
Ao organizar os estados por tal fator, atesta-se que Mato Grosso supera os demais (Table 8). Isso corrobora com o quadro abordado neste documento, uma vez que o levantamento foi feito em quadras de um bairro médio da cidade de Sinop, a quarta em população e PIB do estado. Trata-se portanto de um estudo de caso que envolve uma cidade com alto engajamento no uso de energia solar e quais podem ser os impactos deste para na rede elétrica local.
Fig. 93 Comparação entre os dados do app dos painéis solares e os dados da tensão da rede.
O autor também comparou os gráficos de um dia ensolarado (15 de novembro de 2025) e um dia chuvoso (22 de novembro de 2025); do app dos painéis solares da casa (FoxCloud), versus o gráfico advindo da tensão da rede, adquirido via no-break. Percebe-se que nos dois casos, a tensão acompanhou o padrão de produção de energia, evidenciando a influência dos painéis na sobrecarga da rede.
Fig. 94 Média da tensão antes e depois da do ajuste no transformador.
Complementarmente, analisado o gráfico plotado com a média de antes e depois de 26 de novembro de 2025 – quando o transformador foi ajustado – é possível atestar que de fato houve uma redução na tensão, o suficiente para manter a média dentro da faixa Adequada. Além disso, nenhum dos dias posteriores (até 04/12/2025) passou de 140V. A evolução do gráfico também reforça a influência da alimentação da energia solar, posto que o pico citado de 140V se deu novamente ao meio dia, como ocorrera com o anterior de 148V, ambos visíveis quando observados com atenção nas linhas transparentes (Fig. 94).
Nova Tensão Crítica e Correção
Fig. 95 Nova média pós 21/12/2025 em roxo, demonstrando picos acima da tensão crítica.
Durante um período que se estendeu de 26 de novembro à 20 de dezembro de 2025, a tensão parecia sob controle, no entanto, a partir de 21 de dezembro o no-break voltou a apitar, principalmente no período da tarde, entre 11:30 e 14:30. O autor então criou mais um marcador de tensão média para acompanhar a evolução do marcador (Fig. 95) e com esse dado entrou em contato com a concessionária Energisa, que então, já ciente do meu estudo e da abordagem tomada, rapidamente abriu um novo protocolo de atendimento.
Fig. 96 Visita técnica no dia 14 de janeiro de 2026.
No dia 14 de janeiro de 2026 o autor avistou, de modo inesperado que os técnicos estavam na frente de sua residência. Ao conversar com os mesmos, soube que algumas fiações seriam substituídas (Fig. 96) e que outras medidas seriam tomadas, no entando elas não foram explicitadas. O autor percebeu, ao circular na vizinhança, que mais fiação foi trocada ou adicionada em outros locais, no entanto, por não ter recebido maiores informações, qualquer observação acerca do que tenha sido feito por parte da concessionária, seria apenas especulação.
Fig. 97 Gráfico de média de tensão por período. Em preto: A média inicial, com os picos de tensão, antes da solicitação técnica. Em ciano (azul claro): A média logo após a visita técnica que ajustou a tensão no tranformador. Em roxo: A média após novos picos de tensão, sem causa identificada, o que acarretou nova solicitação de visita técnica. Em azul escuro: A média atual depois de um mês do ajuste efetuado em 15 de janeiro de 2026.
Ainda que o autor não tenha informações claras acerca do que foi feito, o fato é que, desde que a efetuada a visita, a tensão tem se mantido mais estávek do que os históricos anteriores, como é possível ver na linha azul, na parte inferior do último gráfico de tensão média plotado (Fig. 97). Um fato curioso a ser observado é que agora há um tendência da tensão se manter ligeiramente abaixo dos 127V, e quando há algum deslocamento crítico, é agora para as tensões inferiores, ou seja, em queda, não pico. A mais crítica delas foi uma queda para 108V.
O no-break, diferente do estado anterior, não mais apita quando a tensão cai para o nível crítico inferior, mas acontecem alguns estalinhos baixos, como se ocorresse algum ajuste interno de tensão.
É importante ser documentado aqui que, a substituição da fiação não seria isoladamente a solução para o caso da residência, uma vez que, como já abordado anteriormente, os vizinhos também relataram problemas com a tensão e o vizinho ao lado gerou levantamento da tensão com o multímetro, atestando-a no nível crítico.
O autor seguirá acompanhando os números e, em caso de alguma mudança relevante ou informação importante, certamente atualizará este documento.
Observações Finais
Em face ao histórico do autor em interações com a concessionária Energisa, ficou um tanto evidente que há um aparente descompasso entre o que é explanado no sistem de atenção ao consumidor (superficial) e o procedimento formal (burocrático). Em um primeiro momento passa-se a ideia de que será relativamente simples solucionar os problemas ocorridos, mas na prática o que acontece é um movimento de proteção da empresa em relação às perdas do consumidor, mesmo que o responsável por isso tenha sido a própria Energisa. Tal situação foi descrita tanto no caso da substituição do poste, quanto no problema de tensão alta.
Uma forma de solucionar isso, como ficou claro no documento, é desenvolver um mecanismo de pressão baseado em registro e documentação, que torne os argumentos retóricos e protocolares da Energisa pouco efetivos, e potencialmente prejudiciais à reputação pública da mesma.
É bem verdade que este estudo demonstrou que os eletromésticos atuais, embora apresentem defeitos e perdas eventuais, como os três condicionadores de ar queimados, na maioria das vezes funcionam bem, ignorando os picos e baixas da rede. Essa realidade deixa a Energisa em uma situação cômoda, pois diferente dos no-breaks que funcionam como sensores de energia de baixa qualidade, tais eletrodomésticos não “informam” os problemas elétricos que podem estar acontecendo.
Em relação aos processor por danos elétricos, os prazos muitas vezes impossibilitam que os orçamentos e laudos técnicos necessários – não informados no sistema de atendimento ao consumidor – sejam feitos de modo satisfatório, pois há a necessidade de retormar os trabalhos, caso contrário o consumidor terá mais prejuízos por não produzir. A Energisa parece também se beneficiar dessa situação, pois muitas vezes, mesmo sendo a responsável pelos problemas que se sucederam, acabam vencendo pelo cansaço. Como poucas pessoas se dão conta de que problemas de tensão podem ter ocasionado queima de aparelhos, como o caso dos condicionadores de ar, tais prejuízos são arcados pelos próprios consumidores, sendo que a solução do problema, como foi abordado aqui, pode ser conquistada de modo simples e rápido por parte da concessionária (redução da tensão).
Este documento tem o potencial de beneficiar a todos os envolvidos: consumidores, geradores de energia, concessionária e demais, que podem ver no mesmo um registro de caso, onde não apenas se abordou o problema em si, mas forneceu ferramentas de replicação de testes, explicações sobre o crescimento da energia solar e o impacto na rede local, além de um breve debate sobre melhores práticas que podem ser tomadas, de modo a melhorar a imagem da empresa ao passo que auxiliam efetivamente o consumidor final.
Respeitando as boas práticas de transparência pública, a presente publicação foi enviada à Energisa, para que esta tome conhecimento da mesma e, frente ao ocorrido, possa melhorar o atendimento a casos semelhantes, fechando o ciclo de solução efetiva aqui proposto.
Referências Bibliográficas
Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica. (2025). Infográfico ABSOLAR nº 85. ABSOLAR.
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). (2020). Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional – PRODIST Módulo 8: Qualidade da Energia Elétrica (Módulo 8, Revisão 11). Resolução Normativa nº 888/2020. https://www2.aneel.gov.br/cedoc/aren2020888_prodist_modulo_8_v11.pdf
Intelbras. (2021). Bateria de nobreak: quando trocar a bateria, cuidados e dicas para preservar a vida útil. Blog Intelbras. https://blog.intelbras.com.br/quando-trocar-a-bateria-do-nobreak/
PV Magazine Brasil. (2025). 7% das unidades consumidoras no Brasil já contam com energia solar. pv magazine Brasil. https://www.pv-magazine-brasil.com/2025/09/11/7-das-unidades-consumidoras-no-brasil-ja-contam-com-energia-solar/
TS Shara. (2021). Manual de Instruções UPS Professional e Senoidal 2200-3200. https://tsshara.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Manual-de-Instrucoes-UPS-Professional-e-Senoidal-2200-3200.pdf
TS SHARA. (2025). Nobreak dura quanto tempo? Guia Completo. Blog TS SHARA. https://tsshara.com.br/blog/nobreaks/nobreak-dura-quanto-tempo-guia-completo/